sábado, 12 de junho de 2010

* Trajetória de uma raça *


arte : Vino Morais

atravessou o tempo

certeiro como arpão

o grito da escravidão


sementes escondidas

em cabelos crespos

cairam no caminho

vontades sacudidas

fecundaram o solo

espalharam raízes


bebês buscaram o colo

das mães amortecidas

oprimidas

desiludidas

ecoou no vento

toque de tambor

buscou-se alento

em canções de dor


Úrsula Avner


* Vino Morais é artista plástico Angolano. Conheça outras obras dele clicando aqui

15 comentários:

  1. Escravidão, fantasma que assombra o mundo.

    Beijo pra você, um ótimo domingo.

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  2. Úrsula

    A Trajetória de uma raça judiada que conseguiu ficar bela na tua canção de dor!
    Que bom que sempre ficam sementes para serem colhidas por hábeis mãos jardineiras, como as tuas, que as fazem renascer em poesia!

    Lindo demais!

    Bjs

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  3. Uma mistura de história e poesia, quão bonito ficou, Úrsula! E também admiro muito a arte do Vino.

    Beijos.

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  4. Que BELO poema e que inspira a pintar outra tela.Adorei Ursula,grande beijo.

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  5. Oi, Úrsula!

    Gosto de poemas que "não calam".

    Uma das estrofes de meu poema "o canto do azulão" diz:

    Na imensa capilaridade da ignorância
    - apesar das leis outorgadas -
    perpetua-se mensagens subliminares,
    reforça-se a discriminação velada.

    Beijos, minha cara!

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  6. "sementes escondidas


    em cabelos crespos


    cairam no caminho


    vontades sacudidas


    fecundaram o solo


    espalharam raízes"


    Estes versos já tornam inexplicáveis todas as questões que envolvem o racismo e suas injustiças mundo afora.

    Bravo!

    Bjs!

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  7. Úrsula!

    Comoveu-me este poema.

    O grito da escravidão, que não esconde só sementes.

    Belíssimo!

    Beijos

    Mirze

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  8. É bela essa mistura e mistérios contidas em seus textos Úrsula.
    Um beijo de boa semana.
    Goretti

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  9. Um grito poético forte e belo contra essa escravidão que, de uma certa forma, até hoje permanece. Beijo.

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  10. Dominadores e dominados
    e viceversa ...
    A arte , como válvula de escape
    A cultura como legado
    Sobreviventes ...

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  11. Ótimo poema, Úrsula.
    Gostei muito também na ilustração.
    Beijos

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  12. Belíssimo, parabéns por este post!
    beijo, linda semana

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  13. Qualquer tipo de escravidão nos diminui, como raça humana. Bonito, Úrsula. beijos.

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  14. Lindo, Úrsula!
    Extrema sensibilidade traduzida em palavras...
    Beijo

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  15. Linda demais sua poesia, parabéns poetisa, tudo de bom pra você.

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